NETO DE BOIADEIRO!

José Geraldo Martinez  



Tenho uma horta no fundo do quintal,
onde me toma horas inteiras...
Um pequeno jabuticabal que, ao anúncio do madrigal,
é parada de aves passageiras!

Uma cadeira de balanço...
Onde no cochilo eu me abrigo!
Ao fundo um pequeno remanso,
de riacho serpenteando qual trilho...

Um cachorro velho...
Um dia foi caçador!
Quantas onças não tirou da tocaia,
nas matas por onde passou?

Um violão de pinho pendurado...
Desbotado ao peito de algum cantador!
Um facão velho enferrujado,
lembranças do meu avô!

Um arreio, um pelego, tenho também um berrante...
Um rêio rabo de tatu, uma pica-pau de matar jacu,
um apito pra chamar nhambu,
uma parêia de bois de carro!

Tenho um pequeno museu...
Com moedor e pilão!
Ferro a brasa, lampião,
um par de esporas centenário...

Histórias comigo guardadas
de poeira, boi e boiada,
por todo o sertão brasileiro...

Uma dor comigo juntada,
da vida qual poeira da estrada,
a deixar chorando o neto de um boiadeiro!


Araçatuba 19-6-2012

 

 

 

Créditos:

Imagens Jpg da net

 

(Repasse com os devidos créditos)

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Publicado em: 18.10.2003 Atualizado em:  15.09.2013