O Pantanal

Autor Hamilton Brito


Se o tempo caminha lento ou não, não sei; o que sei é que levou mais um verão embora.
Foi possível ver no céu escuro os gansos selvagens iniciando a sua grande  migração.
 Se por necessidade ou por instinto, não importa  pois ao tempo que ofereciam lindo espetáculo, era triste como toda partida.
Outras espécies  de aves migratórias já partiram.
Cada uma  obedece ao seu instinto ou alguma ordem superior.
O que me encanta  é que cada uma tem o seu momento próprio de partir.
As pernaltas continuam no chão à procura do alimento.
As revoadas,  para elas, são  como se não acontecessem.
E eu ali no meio de tudo. Fazendo parte de uma sinfonia que só Ele pode ter escrito.
 Colocou-me, no momento, como único presente naquela imensa plateia.
Estou no pantanal.
Em qualquer lugar  deste imenso pedaço de céu é possível  desfrutar da natureza, descansar em berço esplendido ao som mavioso dos instrumentos daquela orquestra, composta de jaós buscando o acasalamento ,  de bugios com  as suas famílias procurando um galho seguro para a noite,  do chororó reclamando a presença do chitãozinho , enquanto a onça parda no fundo do grotão avisa à natureza que a sua jornada noturna começou.
Sinto que , sem que eu queira ou premedite, minha simples presença em silencio contemplativo é constrita oração.
E nessa oração percebo que de todas as formas a natureza agradece ao seu criador. Agradece quando o jacaré silencioso e traiçoeiro dá o bote no bezerro e o leva para a galhada para devorá-lo no sossego; agradece no passo lento e compassado do Tuiuiú  ou no nado seguro da elegante lontra à procura de uma presa.
Verdadeiro mosaico.
Mosaico onde também tem a sua presença o veado pantaneiro, saltitante, alegre, muitas vezes nem percebendo que os olhos atentos da parda o observam.
Nas vazantes, o Criador colocou verdadeira cozinha  na qual as mais variadas espécies de alimentos  esperam pelos seus comensais e eles são de todas as espécies com as suas próprias dietas alimentares....E tem para todos.
O Pantanal parece um sistema circulatório e na verdade o é. Com as suas artérias e veias, apresenta ainda arteríolas que levam a água, o sangue que alimenta  o sistema e lhe dá beleza e vida.
Houve época em que eu gostaria de ter nascido nas Montanhas Rochosas, nos Estados Unidos. Motivado pelos filmes de lenhadores e pelos da Polícia Montada...É,  eu sonhava sim.
"É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir"
Mas hoje, agradecendo a Deus por ter nascido brasileiro, agradeceria mais se tivesse  nascido no Pantanal. E quem sabe  um tocador de viola sensível como o Almir Satter para cantar todas aquelas belezas como brilhantemente fez na estrofe citada.
Pois paz , amor, poder é o que o pantaneiro mais tem, daí a sensibilidade à  flor da pele que comumente vemos nestas pessoas.
Daqui a pouco o dia vai amanhecer. As luzes da pousada já se acendem mostrando que para alguns, novo dia de trabalho estará começando.
Por mim, não que aquela noite fosse eterna, mas de bom grado a aceitaria com mais umas horas para que pudesse ser o único presente naquela sinfonia inacabada, apenas interrompidas  pela presença do sol, tão necessário à vida como a poesia da noite pantaneira.
Com o verão tendo cumprido o seu papel teremos na sequência o outono.
Será que a poesia vista e sentida no verão se repetirá com a nova estação?
È um período de transição entre o verão e o inverno, segundo informam  e notar-se-á mudanças rápidas nas estações do tempo com presença de nevoeiro, geadas e queda de temperatura.
Eu não estarei aqui para ver mas,  duvido que a mesma poesia não marque presença , mesmo em outro cenário. Afinal, o autor do script, como dizem os americanos é o Lord.

 


Créditos:

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Tube principal: By DBK
Tube paisagem: Ana Rizdi

 

(Repasse com os devidos créditos)

 

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Publicado em: 05.09.2013  Atualizado em:  24.09.2013